“A ideia precisa SAIR do papel”, é uma frase que não vale pra quadrinhos. As ideias têm mais é que IR pro papel, pra TODO MUNDO LER!

Bila!!!!!

Oi, tudo bom?

Semana passada eu me apresentei e disse que ia começar a ajudar quem deseja criar/fazer/produzir uma história em quadrinhos. Estou partindo do princípio de que você já sabe desenhar, tem boas noções ou, como no meu caso, engana bem nesse quesito…

Então chega de papo furado: vamos começar a trabalhar!

Primeiro:  a menos que você seja o Rei do Improviso ou queira apenas brincar de fazer quadrinhos, não comece desenhando sua história direto no papel, um quadrinho de cada vez. Planeje antes. Sempre que você for criar sua história, é bom partir de um texto escrito, pra ter uma base.

Segundo: tenho um método que desenvolvi com um amigo escritor, que é colocar sua ideia em itens, e  por isso batizamos esse método de ITEM-sificando. É bem fácil: Para cada ação da sua história, coloque um número na frente e escreva uma frase pra descrever essa ação.

Como primeiro exemplo, vamos pegar uma historinha de uma página.

Vamos fazer isso juntos!!!

  1. Dois personagens, A e B: um deles está saindo do banheiro, olhando outro, que se aproxima, ansioso e perguntando:

– Cê fez cocô ou xixi? – Diz o personagem A.

– Xixi. – responde o personagem B.

  1. O personagem A avança porta adentro. O B fica do lado de fora.
  2. Um quadrinho com B de mãos nas costas, olhando para o nada.
  3. O personagem A saindo do banheiro, agarrado à maçaneta da porta, quase caindo, suado e furioso. Atrás dele, sai uma fumaça densa e branca.

– Mentiroso! Você disse que tinha feito xixi! (A)

– E fiz.(B)

  1. Close de B, totalmente tranquilo.
    – Você não perguntou nada sobre peidar…

Como eu disse, uma história simples. Eu usei cinco itens para contá-la, que correspondem a cinco quadrinhos. Isso se chama decupagem.

decupagem
substantivo feminino
  1. 1.
    cine, tv: divisão de um roteiro em cenas, sequências e planos numerados, para facilitar a gravação.
  2. 2.
    cine, rádio, tv: listagem de material filmado, ou gravado em fita (de vídeo ou de áudio), para posterior seleção dos trechos a serem aproveitados na edição.

Embora o termo venha do cinema e da TV, a ideia pode ser usada do mesmo modo para os quadrinhos. Sabe por quê? Pra que qualquer pessoa que não seja o autor consiga enxergar o que está acontecendo na história. Isso é muito importante caso você vá apenas escrever para outra pessoa desenhar.

Se você mesmo for desenhar a história, vá para a segunda parte: faça o esboço.
Sim, agora é a hora de desenhar cada quadrinho separadamente no papel!

Veja como ficou nosso esboço.

Rascunho

Perceba que eu acrescentei um título ao lado. Claro, a história precisa ser apresentada ao leitor. No caso, apresentei a história e o personagem (Mecônio).
Outro detalhe: variação nos ângulos de câmera e enquadramentos. Claro que você pode fazer a HQ toda sempre no mesmo ângulo. Os quadrinhos do Mauricio de Sousa são assim.
No caso da nossa historinha, optei pela variação para deixar a narrativa mais dinâmica. Gostou?

Penúltima dica: a história raramente sai certinha da primeira vez. Depois que você tiver escrito, espere um tempo, leia-a novamente e veja se não esqueceu algum detalhe. Se ela já estiver do jeito que você gosta, vá pro esboço!
Última dica: preste atenção nos filmes e nos quadrinhos para perceber as variações que eles usam.

Terminado o esboço, comece a produzir sua HQ!

É isso. Espero que você tenha curtido essa aula.
Até a próxima semana!!!

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