Tipos de mocinhos… e tipos de bandidos

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Olá!!!

No tópico desta semana, decidi revelar um pouco das minhas pesquisas quanto a criação de personagens.

Eu me considero um farejador de clichês: sempre que percebo um, sinto vontade de desconstruí-lo de alguma forma, seja com uma exposição ridícula, seja isolando-o, como uma espécie de exemplo a evitar. Acredito que, uma vez identificado o clichê ou lugar-comum, nós, como criadores, temos a obrigação de não utilizá-lo ou contorná-lo. Caso contrário, nos tornaremos previsíveis.

Dentre os tipos básicos de personagens – o mocinho e o bandido – percebi  alguns que vivem se repetindo há décadas, seja na literatura, no cinema e nos quadrinhos.  Vamos, então, a eles. Use-os com parcimônia para se divertir, ou evite-os, pelo bem de uma história mais elaborada.

Tipos de Mocinhos

O fortão: vive para sentar a mão na orelha dos antagonistas. Inteligente, mas não muito: depende de um roteirista tendencioso, que lhe presenteia com bandidos de péssima mira para escapar de tiroteios e ganhar lutas contra adversários maiores e mais fortes. Esquentadinho, fala pouco e não faz força nenhuma para conquistar a mocinha, com quem vive às turras até o momento em que se beijam. Entende de tudo um pouco, desde fazer esqui a surfar, passando por pilotagem de helicópteros, tanques de guerra e automóveis Fórmula-1.

Ex.: Filmografias completas de Stallone, Schwarzenegger e Vin Diesel. Metade da filmografia do Van Damme. Nos quadrinhos, o Wolverine.

 O que é herói sem saber: sente medo mas enfrenta o perigo; pode ou não saber artes marciais, o que não o livra de apanhar muito antes de derrotar seus inimigos. Bem intencionado, bem humorado, honrado, sincero e apesar de inteligente, tem um quê chapliniano de ingenuidade. Faz rir inadvertidamente, seja por seu jeito ou pelas situações em que se coloca. Existe uma variante deste herói: o atrapalhado que se dá bem no fim.

Ex.: Filmografia completa de Jackie Chan; Indiana Jones, Bruce Willis em Duro de Matar e Mel Gibson em Máquina Mortífera. Nos quadrinhos, meu personagem Giovanni Mantovani.

 O classudo: arrisca o pescoço com tranquilidade, escapa do perigo sem se despentear e possui um senso de humor impressionante. Sempre tem uma frase bem colocada, um trocadilho ou uma observação cínica na ponta da língua. Fala mais de quinze idiomas fluentemente. Quando usa armas, não desperdiça uma única bala. Tem-se a impressão de que sua munição é infinita.

Ex.: Filmografia completa do 007. Forçando um pouco a barra, o James Kirk (que se machuca, se despenteia e rasga a roupa, mas no fotograma seguinte aparece novinho em folha, igual desenho animado). Nos quadrinhos, o Fantasma.

O blasé: ele se lixa para o mundo. Quase nunca, ou nunca, dá um sorriso. Só entra em ação quando pisam no calo dele ou se alguma coisa na história desperta seu interesse. Curiosamente, atrai a simpatia de boa parte do público. Em geral, acaba ajudando os que estão em dificuldades, pois tem bom coração só que não demonstra isso.

Ex.: Han Solo, os caubóis do Clint Eastwood e a filmografia completa do Steven Seagal. Nos quadrinhos, o Wolverine.

O bonzinho demais: incapaz de colar nas provas da escola, falar palavrão quando fica com raiva, escovar os dentes menos de quatro vezes por dia ou atravessar a rua fora da faixa de segurança. Adora ajudar, mesmo que isso signifique esfalfar-se todo no processo. Para suas aventuras, tem um ou dois amigos que o ajudam, invariavelmente mais interessantes que ele. Muito fiel às regras. Em geral, fica feliz se leva o bandido para a cadeia. Só vai matar algum vilão se este conseguir tirá-lo, de fato, do sério, o que não é impossível apesar de bem difícil.

Ex.: Nos quadrinhos, o Mickey e o Super Homem. O cowboy Roy Rogers, o Elliot Ness do Kevin Costner em Os Intocáveis e o Harry Potter.

O obcecado: sofreu um trauma muito forte e por isso dedica sua vida a combater as injustiças ou o crime. Geralmente é violento. Em uma variação, este mesmo herói perdeu alguém muito querido e não pensa em mais nada além de vingança. Alguns deles não conseguem sorrir, porém podem desenvolver um humor sarcástico ou cínico.

Ex.: Batman (claro!), o Homem Aranha, o Justiceiro, Charles Bronson em Desejo de Matar e a outra metade da filmografia do Van Damme.

 

Tipos de Bandidos 

O caladão: não abre a boca, pra dar um ar de mistério. Mas na verdade é porque ele não tem nada que preste para falar. Em geral é muito bom de briga e muito poderoso.

Ex.: Dart Maul (A Ameaça Fantasma), Jet Li em Máquina Mortífera 4 e boa parte dos vilões coadjuvantes do James Bond.

O sofisticado: cheio das afetações, em geral faz o contraponto do herói abrutalhado e boca-suja. Culto e presunçoso. Quando a situação fica preta, tem raciocínio rápido para virar o jogo a seu favor. Adora arrancar informações usando de terrorismo psicológico. Esperto o bastante para não entrar no corpo-a-corpo com o mocinho, pois sabe que se o fizer vai levar uma surra sem tamanho.

Ex.: Hans Gruber, vilão de Duro de Matar, o Canceroso do Arquivo X, o Rei do Crime (inimigo do Homem Aranha e do Demolidor) e o Agente Smith de Matrix.

O “Eu sou mau!”: Para ele, os fins justificam os meios e pronto. Parece não demonstrar um mínimo de bondade, e quando sorri (se sorri), o faz apenas por puro exercício de sadismo. Quem se mete no seu caminho ou comete deslizes é sumariamente eliminado, sem remorsos. Pavio curto? Que nada, ele nem tem pavio! Se não for bad boy é o próprio psicopata.

Ex.: Dart Vader, Voldemort, Curinga.

O encrenqueiro: Seu maior prazer reside em perturbar a vida do mocinho, em geral mais fraco que ele. No fim, acaba sempre se dando mal ou apanhando do herói já farto das provocações, para catarse da platéia.

Ex.: Richard Tyson no filme Te Pego Lá Fora (Three O’clock High), Fred Wilson como Biff e seus parentes na Trilogia De Volta Para o Futuro. Nas HQs, o Flash Thompson.

O infantil: seu poder não lhe pertence por direito, mas por usurpação. Covarde: se contrariado, age como uma criança mimada e castiga seus comparsas ou súditos. Tem a inteligência limitada e o caráter fraco. Ótimo para o herói, que sempre o faz de otário. Nem tem muita graça derrotar um sujeito desses.

Ex.: Príncipe João do desenho animado Robin Hood da Disney.

O cientista louco: sabe-se lá por quê, o sujeito tem um complexo de inferioridade enorme. Compensa isso usando sua genialidade incrível para as áreas tecnológica, biológica, física ou química e inventa algum artifício qualquer para dominar o mundo. Não sei se ele seria um bom administrador, pois acredito que ser prefeito de uma cidade pequena já deve ser bastante mais complicado do que trabalhar como zelador de um prédio; que dirá, então, governar um planeta inteiro. E ele não parece nem emocionalmente estável para o cargo que se propõe.

Ex.: Mais uma vez, os filmes do James Bond ou boa parte dos desenhos de Hanna-Barbera possuem exemplos a dar com pau deste vilão.

Semana que vem vou passar pra você dez dicas para escrever uma história!

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