Persiga seu próprio estilo

Olá!

Dois dos meus sobrinhos passaram um tempo aqui em casa. Um deles me fez ressuscitar uma brincadeira de quando eu tinha menos idade do que eles: colocar uma folha de papel vegetal por cima de uma revista em quadrinhos e passar o lápis por cima dos desenhos. Diversão garantida por algumas horas para um deles, com nove anos, como foi para mim, aos sete.

Naquela época, sem saber, estava fazendo uma espécie de treino para quando fosse desenhar minhas próprias criações.

Já ouvi mais de um profissional afirmar que, para quem quer começar a desenhar, a dica é “pegar seu artista favorito e copiar o estilo dele”. Isso, no entanto é apenas metade da dica que um profissional deveria dar. Se você quer mesmo seguir carreira com HQs, não se torne uma máquina xerox viva do seu ídolo! Procure pelo seu estilo! Para isso, você não pode se fixar numa única influência, e sim no máximo delas. Quantas quiser, desde que não seja apenas uma. Faça disso uma busca séria, nem que leve a vida toda.

Posso afirmar que os quadrinistas que ajudaram a moldar meu estilo foram Francisco Ibañez, Benito Jacovitti, Albert Uderzo e Phillipe Tome. Acabei encontrando meu próprio caminho, a ponto de algumas pessoas afirmarem que meu traço “não tem nada que haver” com os desses artistas. Julgue você mesmo

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De cá pra lá: Ibañez, Jacovitti e Uderzo. Abaixo, Tome.

 

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É sério isso!

O que digo aqui tem mais importância e profundidade do que parece. Em nosso país, aparentemente, somos doutrinados a imitar tudo que vem de fora. É proibido ser original! Fixam na nossa cabeça o pensamento tacanho do “Nada se cria, tudo se copia”; isso, somado a uma preguiça atávica de se informar, pesquisar e quebrar a cabeça, resulta nesse turbilhão de plágios descarados que a gente vê em novelas, filmes nacionais, comerciais de TV e personagens de quadrinhos.

No ramo da música, a coisa só piora, com as versões brasileiras de sucessos internacionais do passado ou do presente. Existia um temo, antigamente, para esse tipo de comportamento: macaco de imitação. Hoje em dia, com a informação muito mais acessível do que há vinte anos (mais ou menos quando a Internet surgiu, 1994), não existe mais desculpa para alguém não ir atrás do que quer.

OPS! Já ia esquecendo!

O lema do blog é “Não critique quem faz: faça!” Bom, melhor voltar ao nosso assunto…!

Falei em buscar o próprio estilo como quadrinista. Faltou mencionar que o mesmo se aplica ao seu roteiro e à sua diagramação de página. Isso é um estudo em paralelo. Autores como Will Eisner e Scott McCLoud publicaram obras que dissecam a linguagem das HQs. No entanto, ler coisas diferentes para assimilar também ajuda.

Pesquise sobre quadrinhos europeus em sites como Ndrangheta e Tralhas Várias. Ali existe muito material que talvez nunca chegue ao Brasil, mas que você pode baixar na sua máquina. No caso de você gostar, pode tentar comprar pela Internet também.

Só não falo dos mangás e dos manhwas (seus correspondentes coreanos cuja pronúncia é parecida), porque são mais fáceis de encontrar por aqui.

Empenhe-se! A ideia original, o traço personalizado e a diagramação inédita vão aparecer! Basta você trabalhar direito e com vontade.

Espero que tenham gostado de mais essas dicas.

Abraços e até a próxima semana!

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